quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Para refletir...


ÍNDIOS ANACÉS GANHARÃO NOVA RESERVA INDÍGENA

A comunidade indígena Anacés, que habita a região do complexo industrial e Portuário do Pecém, nos municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, vai ganhar uma nova reserva. O Governo do Estado e a Petrobras adquiriram uma área de 540 hectares que foi doada ao índios Anacés, em troca do terreno onde será instalada a Refinaria Premium II, antigo espaço ocupado pela comunidade. (...)
Serão construídas 163 casas distribuídas entre quatro aldeias, uma escola indígena, um posto de saúde, acesso viário, vias internas, sistemas de energia elétrica, de água e de esgoto, terraplanagem e drenagem. (...)

(Autor desconhecido)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

COPA JJ (PARTE 02)


Finalmente Epaminondas conseguiu convencer seu tio a lhe vender os equipamentos a prazo, no tão esperado dia da corrida ele equipou o Jujuba e como um raio partiu para o local da competição, lá ele tomou seu lugar no páreo e esperou o momento da largada, o narrador do evento pediu que todos se preparassem, pois seria dado o início da prova e logo depois de contar até três ouviu-se um disparo e então os jumentos saíram em disparada, Jujuba era um dos primeiros, o narrador empolgado falava com toda animação, “acunhe, acunhe e acunhe, esse Jujuba é ligeiro mesmo, arroxa menino”, quando menos esperava-se nosso Epaminondas tomou a dianteira e como um relâmpago cruzou em primeiro a linha de chegada, realizando assim seu sonho de ser campeão da Copa JJ, como prêmio ele ganhou uma premiação de R$ 100,00, uma baladeira nova, dois sacos de milho para o Jujuba e a taça de campeão.

Copa JJ (PARTE 1)


Um jovem chamado Epaminondas, tinha um grande sonho em sua vida, ser o campeão sobralense da copa ouro das famosas corridas de Jumentos, intitulada Copa JJ (Jegue a Jato), mas por ser de família humilde não tinha dinheiro para comprar os equipamentos obrigatórios de segurança novos, entre eles estão a sela, o cabresto, as botas e o capacete para proteger sua cabeça de possíveis acidentes, claro que tudo de segunda mão, a soma do valor desses equipamentos daria um total de R$ 160,00, a única opção para o garoto seria comprar esse equipamento de seu tio Damião, pois era o único que estava disposto a vendê-los, embora fossem parentes, seu tio disse que só venderia os objetos se ele pagasse à vista além desse valor uma dívida de R$ 40,00 que Epaminondas tinha com ele por ter comprado um shampoo e um perfume para seu Jumento Jujuba. 

(Autor desconhecido)

sábado, 22 de junho de 2013

“SE O NOVO JÁ É VELHO, IMAGINE O ANTIGO?” FORMAÇÃO E TERRITORIALIDADES DA FEIRA LIVRE DO APRAZÍVEL, SOBRAL (CE)

Analine Maria Martins Parente[1]
analine.p@hotmail.com
Antonia Neide Costa Santana[2]
neidesan@gmail.com


Introdução
Durante a realização do nosso curso de graduação em Geografia, na Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral/CE, elegemos como objeto de estudo a Feira Livre de Aprazível, no distrito de mesmo nome, pertencente ao município de Sobral (CE). O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi direcionado para a área da Educação, visto que, o curso era de Licenciatura.
No decorrer da pesquisa da graduação identificamos impactos sócio-espaciais e comerciais, disputas de territórios, conflitos políticos e administrativos, bem como, a “inserção” do distrito de Aprazível no circuito comercial nacional devido à exportação de mercadorias para outras regiões do Brasil, como o Sudeste e o Sul. O TCC do curso de Licenciatura nos direcionou para a relação da feira com o sistema de ensino local e os vários pontos detectados e relacionados acima ficaram latentes, no limiar do trabalho, nos estimulando à continuidade da pesquisa no curso de mestrado e à ampliação das discussões iniciadas durante a graduação, para um estudo mais detalhado, procurando entender sua interligação com alguns conceitos, tais como, território, redes e informalização/formalização do trabalho. Outro motivo para a escolha desse tema deve-se à relação de proximidade com o objeto em questão, visto que sou moradora do distrito, portanto, acompanho o desenvolvimento da feira desde a sua chegada.
A feira, antes situada em Sobral, foi deslocada para Aprazível, trazendo expectativas, relacionadas à geração de emprego e renda, e problemas, advindos da falta de infraestrutura para abrigar feirantes, fregueses e ônibus/automóveis cuja quantidade extrapola e sobrecarrega a vida pacata do lugar.
Tendo em vista a opção por esta pesquisa, procuramos desenvolvê-la à luz da ciência geográfica, entendendo a feira, na contemporaneidade, como fenômeno do comércio informal inserindo-a nos estudos dos circuitos da economia abordados anteriormente por Santos (2005).
O fenômeno do comércio informal tem se expandido, principalmente nas cidades do interior do Nordeste. A ausência de um mercado de trabalho favorável, a pouca qualificação do trabalhador faz com que, a cada dia, pessoas optem por novas alternativas para a geração de emprego e renda, e o movimento do comércio, tem crescido graças às facilidades oferecidas, tais como: mercadorias vendidas em grande quantidade e com pagamento à vista além da não exigência de qualificação do trabalhador para atuar neste segmento (SILVEIRA, 2004). Tal sistema comercial varejista cresce e acaba ganhando reconhecimento nos estados circunvizinhos, chamando a atenção dos compradores que buscam mercadorias com preços inferiores aos do comércio formal, mas de boa qualidade.
Se nos aprofundarmos nas discussões referentes aos circuitos da economia (SANTOS, 2005), poderemos compreendê-la como uma atividade do circuito inferior, mas com algumas contradições em relação ao conceito, devido a fatores tais como a existência de uma organização administrativa, Associação dos Feirantes de Aprazível (AFA), assim como a presença do poder público, por meio da Prefeitura Municipal de Sobral.
Por estes motivos e caracterizações realizadas acima é que a Feira Livre de Aprazível passou a ser objeto de estudo em nosso projeto de mestrado, pois a mesma além da dinâmica evidenciada nos dias de funcionamento, pode ser considerada como catalizadora da precarização das relações empregatícias, justificando novas formas de trabalho e transformações espaciais recorrentes, devido ao crescimento do comércio informal no referido distrito.

Desenvolvimento
A Feira Livre do Distrito de Aprazível atualmente localiza-se no distrito em questão, a 25 km da cidade de Sobral, na região noroeste do Ceará. A referida atividade comercial é oriunda dessa cidade e foi alocada, em Aprazível, há aproximadamente doze anos.
Antes conhecida como “Shopping-chão”, a feira situava-se em Sobral, na Praça da Meruoca (atual Praça de Cuba), cujo solo urbano é bastante valorizado por situar-se no centro comercial da cidade. A localização privilegiada da referida feira passou a gerar descontentamento entre os comerciantes locais, muitos lojista acreditavam que a feira atrapalhava as vendas, por isso passaram a pressionar o sindicato da categoria exigindo o seu deslocamento para um espaço distante da área central.
Após várias reclamações desses lojistas ao sindicato, a feira foi transferida para o Bairro do Junco, sendo alocada no espaço que deveria receber o prédio do novo mercado de Sobral, o “Mercado Novo”, como era conhecido, atual Centro de Convenções. Mesmo após o deslocamento a feira continuou a interferir nas vendas do comércio formal da cidade, sendo novamente prioridade transferi-la para um espaço ainda mais distante.
 Em decorrência de tantas reclamações, o sindicato dos lojistas, que julgaram a feira prejudicial ao comércio local, conseguiu transferi-la da sede do município, Sobral, para o distrito de Aprazível em Julho de 2001.
A mudança da feira, com aproximadamente 400 barracas, foi realizada para um terreno com pequenos pontos de alagamento visíveis no período chuvoso. As barracas, “estruturas“ assim denominadas pelos feirantes e autoridades locais, foram montadas sem a implantação de pisos de cimento para sua sustentação, tão pouco estabelecimentos comerciais como, por exemplo, restaurantes e pousadas/hotéis, ou seja, um ambiente sem condições físicas para receber feirantes e sacoleiros que viriam de vários estados, como Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Amapá (no caso do estado do Amapá, há excursões com sacoleiros que vêm comprar mercadorias na feira, duas vezes ao ano).
 Em 2013 são cerca de 1.300 barracas aproximadamente cadastradas na AFA, instituição criada após um ano da chegada da Feira, ou seja, em 2002, que tem por finalidade estabelecer a organização estrutural da feira e cuidar da arrecadação financeira das barracas, cuja coleta é realizada semanalmente. O dinheiro arrecadado é utilizado no pagamento dos funcionários (seguranças, cobradores, técnico de enfermagem, zeladores, eletricistas, cozinheiro) que cuidam do espaço; na manutenção de um ambulatório de primeiros socorros; consertos das barracas quebradas; na preservação do sistema de comunicação realizado por intermédio de um auto-falante; assim como das atividades desenvolvidas pelos administradores.
A equipe administrativa da feira é eleita por meio do voto a cada quatro anos. O voto, nesse processo, é permitido apenas para os feirantes e donos de barracas que sejam cadastrados na Associação. O tempo de duração para o mandato da chapa é de quatro anos. As chapas são inscritas com os seguintes cargos: Presidente, Vice-presidente, Secretário e Tesoureiro, além do Conselho Fiscal.
 Nos anos de eleições várias chapas se inscrevem com a intenção de comandar as questões administrativas da feira, a disputa costuma ser conflituosa, pois há uma certa insatisfação entre os grupos da oposição e os atuais administradores (situação), que divergem opiniões no que diz respeito à organização da feira. Após as inscrições das chapas todo o território da feira fica adornado de cartazes, panfletos e outdoors de divulgação com as propostas dos candidatos.
Outro fator de relevância, a ser observado e analisado, diz respeito à tipologia dos produtos expostos: no início comercializava-se apenas roupas íntimas, jeans, calçados, artigos de cama, mesa e banho. Atualmente inúmeros tipos de produtos são comercializados, tais como: frutas, artesanatos em geral (rede, bordados, arranjos florais), bijouterias, objetos de couro (cintos, bolsas, calçados), CD’s e DVD’s, celulares importados, perfumaria, alumínio, relógio, óculos de sol, entre outros artigos.
Após alguns anos da chegada da feira ao distrito, o mesmo vem passando por um processo de transformação sócio-espacial com a construção dos chamados objetos geográficos (SANTOS, 2006), tais como a reestruturação das lojas, impondo um novo padrão arquitetônico ao espaço urbano. As consequências desse processo se materializam na valorização do solo urbano não somente da área central, mas também periférica, que tem se intensificado com o passar dos dias.
A condição financeira atual dos feirantes é outro fator a se destacar, pois os mesmos além de terem se tornado donos das grifes, podem ser considerados grandes empresários que investem nas marcas vendidas na feira, dispondo de produtos não apenas nas barracas, mas em shopping centers, ou até mesmo importados dentro do próprio país, não somente por meio dos sacoleiros que revendem a mercadoria como também via representantes comerciais, em busca de produtos com preços acessíveis para revenda nos estados localizados em outras regiões do Brasil, principalmente, Sul e Sudeste.
Ao mesmo tempo em que a feira provoca um expressivo crescimento para o comércio local, além da supervalorização dos espaços nos seus arredores, transformando-os em empreendimentos imobiliários, a chegada desta atividade comercial, trouxe alguns problemas sociais, como é o caso das gangues organizadas para a realização de furtos nas mercadorias das barracas, a prostituição, expressiva devido ao aumento populacional repentino, e sem o devido acompanhamento assistencial, e o comércio de drogas nos dias de feira.
Em decorrência da sua considerável circulação financeira, a feira passou a ser alvo de interesses políticos: em períodos eleitorais os candidatos e as candidatas prometem melhorias na infraestrutura, além da liberação de projetos de apoio ao comércio varejista. Decorrente disso, temos o caso do projeto para construção do Galpão dos Feirantes, com capacidade para 1.000 boxes, além de espaços para restaurantes, banheiros, provadores e estacionamento para carros de pequeno ou grande porte. A desapropriação do terreno para a construção do galpão foi assinada em novembro de 2007, mas até o momento não tem data marcada para o início das obras.
A feira do Aprazível apresenta particularidades em relação às demais. Levando em consideração o estudo dos circuitos da economia na geografia, entende-se a feira como relacionada a este conceito, devido ao uso de formas de produção que apresentam contradições ao próprio pensamento de Santos (2006), tais como: a utilização de “capital intensivo e não intensivo”, serviços não modernos e modernos, abastecido por um comércio que mesmo em pequena escala espacial, movimenta quantias não declaradas, mas que indicam um volume considerável, dada a ampliação do setor nos últimos anos. Além disso, a mesma possui uma política de organização liderada pela Associação dos Feirantes, que se responsabiliza pelas despesas e necessidades da feira e respectivamente dos feirantes, cuidando dos instrumentos de publicidade, investindo em sistemas de divulgação.
De acordo com o quadro apresentado, pode-se entendê-la como uma atividade comercial do circuito inferior da economia proposto por Milton Santos (2005), com as contribuições de Maria Laura Silveira (2004), autores que darão embasamento teórico para o entendimento da temática e a elaboração da dissertação do mestrado.
No que diz respeito ao conceito de território, o termo pode ser empregado para explicar as relações de poder estabelecidas em determinados grupos sociais, na busca pelo controle/domínio de uma área. Assim a relação desse conceito com a feira do Aprazível é direta, pois a disputa territorial presente na feira é gritante, pois levando em conta tal perspectiva, a AFA (Associação dos Feirantes de Aprazível) exerce domínio sobre o território da feira, estabelecendo fronteiras, limites e horários de funcionamento, causando descontentamento entre os principais sujeitos do processo, no caso, os feirantes e os sacoleiros.
Ritmos são alterados e conflitos territoriais foram estabelecidos devido à grande circulação de capital no ambiente de feira, visto que o território passa a ser valioso para os que dele dispõe; novos fluxos são estabelecidos, com uma velocidade e intensidade muito além dos existentes, a fim de adaptar a área à realidade decorrente da nova força motriz da vida local: o comércio informal.

Considerações finais
Para tanto vale ressaltar que mesmo com todos os conflitos e disputas identificados até o presente momento, no que diz respeito à organização administrativa da feira e às relações estabelecidas no espaço intra-feira, podemos afirmar que a mesma é essencial para o desenvolvimento econômico e social do distrito de Aprazível, visto que ela dá suporte para a geração de empregos diretos e indiretos, renda e arrecadação para entidades da categoria dos feirantes. O espaço da feira molda as relações sócio-espaciais em seu entorno, gerando uma extrema dependência do fenômeno informal e ao mesmo tempo uma intensa disputa territorial pelo controle do poder no distrito.

Referências bibliográficas
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2006.
SANTOS, Milton. Da totalidade ao lugar. São Paulo: Edusp, 2005.
SILVEIRA, Maria Laura. Globalização e circuitos da economia urbana em cidades brasileiras. Cuadernos del Cendes. Caracas-Venezuela. Ano 21. Terceira época. Setembro-Dezembro de 2004. ISSN: 1012-2508.


[2] Orientadora, Profª. Drª. do Curso de Geografia e do Mestrado Acadêmico em Geografia da Universidade Estadual vale do Acaraú, em Sobral/CE.
                                             

quarta-feira, 28 de abril de 2010

DINÂMICAS E CONFLITOS TERRITORIAIS NA FEIRA DO APRAZÍVEL - SOBRAL (CE)

Analine Maria Martins Parente
Orientanda - Geografia – UVA - analine.p@hotmail.com
Ms. Nicolai Vladimir Gonçalves de Araújo
Orientador - Geografia – UVA – nvga2009@gmail.com


RESUMO

O referido trabalho, decorrente de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), consiste em uma análise das dinâmicas territoriais ocorridas na Feira do Aprazível, localizada no distrito de mesmo nome, no município de Sobral (CE), onde após a chegada da já citada feira, ocorreu um processo de reorganização de seu território. Mudanças físicas (construção de prédios, casas, estradas, sistema de esgoto, etc.) e no modo de vida da população local. O ambiente estudado na pesquisa é um exemplo deste processo, pois apesar de ser uma atividade comercial, oriunda da cidade de Sobral, que está a aproximadamente nove anos no referido distrito, ocasionou uma considerável transformação em seu espaço, sendo este reorganizado, estabelecendo novas relações, tanto nos modos de vida como na sua definição territorial. Os fluxos materiais e imateriais gerados por essa atividade passam, também, a ser alvo de interesse por parte dos diversos atores envolvidos: feirantes, sacoleiros, administradores, topiqueiros e moradores, gerando uma intensa disputa pelo controle deste território. Ritmos são alterados e conflitos territoriais foram estabelecidos devido à grande circulação de capital no ambiente de feira, haja vista que o território passa a ser valioso para os que dele dispõe, conforme afirma Haesbaert (2006). O Território, assim, tem a ver com poder, mas não apenas ao tradicional “poder político”. Ele diz respeito tanto ao poder no sentido mais explicito, de dominação, quanto ao poder no sentido implícito ou simbólico, de apropriação. Com base neste quadro iniciamos uma pesquisa, cujo objetivo maior é a geração de subsídios empíricos e teóricos para o entendimento dos conflitos territoriais gerados entre os principais agentes deste fenômeno, além de buscar entender como esse processo molda as dinâmicas ocorridas neste ambiente. A pesquisa se iniciou com um levantamento bibliográfico a respeito do tema, envolvendo desde o arcabouço teórico até o método a ser utilizado. Sobre a ótica dialética tornou-se possível compreender a dinâmica da feira, desde as questões relativas ao conceito de território, aos problemas espaciais provenientes do processo histórico da feira, haja vista que o método compreende as mudanças que ocorrem neste ambiente. Para tanto a revisão bibliográfica gerou ainda subsídios para a realização das primeiras atividades de campo, onde foram desenvolvidas entrevistas orientadas, além da aplicação de cem (100) questionários, de forma exploratória. Os fluxos gerados pela atividade da feira passam a ser alvo de interesse, o controle de uma área pelo controle de sua acessibilidade, onde os principais agentes causadores do conflito são: a AFA (Associação dos Feirantes de Aprazível), feirantes cadastrados e os “sem-terra” (feirantes não cadastrados na AFA), os mesmos competem no espaço da feira na busca por vendas e localização privilegiada. Grande parte das disputas ocorre pelo fato dos “sem-terra” se localizarem na entrada da feira, ponto onde segundo os feirantes, seria mais oportuno para as vendas. A Associação dos Feirantes de Aprazível (AFA) é uma entidade que existe há oito anos, a mesma foi criada um ano após a chegada da feira. A Associação tem por finalidade cuidar da arrecadação financeira das barracas, coletadas semanalmente, cujo dinheiro é utilizado no pagamento dos funcionários (seguranças, cobradores, técnico de enfermagem, zeladores) que cuidam do espaço da feira, na manutenção de um ambulatório de primeiros socorros, concertos das barracas quebradas, sistema de auto-falante, assim como das atividades desenvolvidas pelos administradores. Apesar de a Associação ser uma entidade responsável pelo atendimento das necessidades dos feirantes, ao mesmo tempo ela gera descontentamento e oposições entre os associados. Ao mesmo tempo em que a feira provoca um expressivo crescimento para o comércio local, além da supervalorização dos espaços nos seus arredores, transformando pequenos espaços em empreendimentos imobiliários, a chegada desta atividade comercial, trouxe alguns problemas sociais, como é o caso das pequenas gangues organizadas para a realização de pequenos furtos nas mercadorias das barracas, a prostituição, expressiva devido ao aumento de pessoas e o comércio de drogas nos dias de feira. Devido a sua considerável circulação financeira, a feira passou a ser alvo de interesse políticos também, haja vista que no período eleitoral ela passa a ser visitada constantemente por candidatos e políticos, tentando mostrar interesse com os problemas encontrados, prometendo melhorias na infra-estrutura além da liberação de projetos de apoio ao comércio varejista. Decorrente disso temos o caso do projeto para construção do Galpão dos Feirantes, com capacidade para 1.000 boxes, além de espaços para restaurantes, banheiros, provadores e estacionamento para carros de pequeno ou grande porte. A desapropriação do terreno para a construção do galpão foi assinada em novembro de 2007, mas até o momento não tem data marcada para o inicio das obras. Mesmo com todos os conflitos e disputas identificados até aqui na pesquisa, podemos afirmar que a feira é essencial para o desenvolvimento econômico e social do distrito de Aprazível, visto que ela dá suporte para a geração de empregos diretos e indiretos, renda e arrecadação para entidades da categoria dos feirantes. O espaço da feira molda as relações sócio-espaciais em seu entorno, gerando uma extrema dependência do fenômeno informal e ao mesmo tempo uma intensa disputa territorial pelo controle do poder no distrito.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O COMÉRCIO INFORMAL E SUAS DINÂMICAS TERRITORIAIS: O CASO DA FEIRA DO APRAZÍVEL EM SOBRAL (CE)

ANALINE MARIA MARTINS PARENTE
NICOLAI VLADIMIR GONÇALVES DE ARAUJO

PALAVRAS-CHAVE
Território, Feira, Aprazível-CE

O comércio e os serviços são hoje uma alternativa aos problemas relacionados à geração de emprego e renda, principalmente nas proximidades das cidades médias brasileiras, pontos de concentração de crescimento econômico e exclusão a partir de políticas desenvolvimentistas governamentais. Este fenômeno da terceirização acaba por alterar os elementos da realidade que o cercam, modificando o próprio espaço e as relações sociais. Aprazível, distrito da cidade de Sobral-CE é um exemplo deste processo. Após a chegada de uma feira ao referido distrito, oriunda da cidade de Sobral, houve uma considerável transformação em seu espaço, sendo este reorganizado, estabelecendo novas relações, tanto nos modos de vida como na sua definição territorial. Ritmos são alterados e novos fluxos são estabelecidos, com uma velocidade e intensidade muito além dos existentes, a fim de adaptar a área a realidade decorrente da nova força motriz da vida local: o comércio ambulante.
Com base neste quadro citado estabelecemos como objetivo maior desta pesquisa a geração de subsídios empíricos e teóricos para o entendimento das dinâmicas territoriais geradas pela chegada da feira ao distrito de Aprazível, Sobral (CE).
O processo de pesquisa se iniciou com um levantamento bibliográfico a respeito do tema, envolvendo desde o arcabouço teórico até o método a ser utilizado. Sobre a ótica metodológica dialética foi possível compreender a dinâmica da Feira, desde as questões relativas à propriedade aos problemas espaciais, oriundos do processo histórico da feira, haja vista que o método compreende as mudanças que ocorrem neste ambiente. Essa revisão bibliográfica possibilitou ainda subsídios para a realização das primeiras atividades de campo, onde foram desenvolvidas entrevistas orientadas, além de observação das dinâmicas e as mudanças territoriais (divisão territorial do trabalho) na feira.
A partir das pesquisas realizadas ate aqui, percebemos que após a chegada da feira ao distrito de Aprazível, este passou por um processo de reorganização de seu espaço a fim de suprir as demandas do comércio informal. As mudanças mais aparentes foram o aumento da especulação imobiliária, o surgimento de atividades complementares à feira (restaurantes, lanchonetes) e ações como a construção de novos prédios, destinados à função de dormitórios, além do capeamento das avenidas com asfalto e reestruturação do sistema de abastecimento de água. Tais mudanças trouxeram benefícios para a população local, devido à geração de emprego, renda e da valorização dos espaços nos arredores da feira, que acabaram gerando uma disputa pelo controle do território local. Os fluxos gerados pela atividade da feira passam a ser alvo de interesses por parte de atores envolvidos em sua realização: feirantes, administradores (Associação), os sacoleiros, topiqueiros e os próprios moradores do Aprazível.
Mesmo com todos os conflitos e disputas identificados até aqui na pesquisa, podemos afirmar que a feira é essencial para o desenvolvimento econômico e social do distrito de Aprazível, visto que ela dá suporte para a geração de empregos diretos e indiretos, renda e arrecadação para entidades da categoria dos feirantes. O espaço da feira molda as relações sócio-espaciais em seu entorno, gerando uma extrema dependência do fenômeno informal da feira.